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Trabalho com grupos como forma de enfrentamento à violência foi tema de curso na Ejuse

No segundo e último dia do Curso ‘Violência Contra a Mulher’, o 'Uso de Grupos no Enfrentamento à Violência de Gêneros' foi o tema abordado pelos Psicólogos do Instituto Albam, Rebeca Rohlfs Barbosa e Felippe Figueiredo Lattanzio. Ambos falaram sobre a experiência de uma metodologia de trabalho direto com grupos de homens autores de violência e de grupos de mulheres vítimas de agressão. O curso ocorreu no anexo II da Escola Judicial do Estado de Sergipe (Ejuse) e foi uma realização conjunta entre a escola e a Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJSE).

O curso também teve a participação da Juíza-Coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Adelaide Martins Moura, e do Vice-Presidente do TJSE, Desembargador Edson Ulisses de Melo, que falou sobre a Lei Maria da Penha e aspectos jurídicos e culturais envolvendo o tema.

De acordo com Felippe Lattanzio, é no trabalho com o agressor que reside a possibilidade de mudança de cultura. Segundo ele, a punição é importante, é necessária, mas ela, por si só, não possui o viés transformador de colocar em discussão as lógicas do machismo, da violência, do controle sobre o outro. Para ele, é fundamental o debate com a presença de membros do Judiciário (juízes e servidores) e parceiros da Coordenadoria da Mulher.

“Nós temos que ultrapassar o caráter unicamente punitivo para que esse trabalho seja efetivamente uma tentativa de mudança de cultura, de comportamento, de transformação da lógica do machismo e da violência. É só a partir desse tipo de intervenção, que tem um caráter punitivo, mas que também é preventivo, que se consegue modificar a dinâmica da violência. Trabalhar com os autores, nesse sentido, é fundamental”, disse Felippe Lattanzio, que é também Psicanalista e Supervisor Metodológico do Instituto Albam.

De acordo com Rebeca Rohlfs Barbosa, que é também Coordenadora-Geral do Instituto Albam, essa metodologia de trabalho em grupo foi desenvolvida em Minas Gerais por este instituto entre os anos de 2005 e 2006, antes mesmo da Lei Maria da Penha. Um trabalho pioneiro que tem dado bons resultados desde a sua criação. “A forma de coordenação dos grupos tem gerado um efeito positivo, já que a gente tem 85% de cumprimento total da medida”, relatou.

Segundo ela, o repasse dessa metodologia tem sido feito em todo o Brasil, mas tanto ela quanto Felippe já tiveram a oportunidade de fazê-lo na Espanha, em especial, nas cidades de Girona e Barcelona, onde a lei de violência contra a mulher é muito parecida com a Lei Maria da Penha. “Lá, eles desenvolvem um trabalho com grupos de homens e quiseram conhecer nossa metodologia. Recentemente, também, recebemos a visita do governo americano, da cônsul americana e de uma equipe do Tenessee, para ver como desenvolvemos este trabalho”, revelou Rebeca.

Além do papel dos grupos no enfrentamento à violência (aspectos teóricos e práticos, formato dos grupos); também foram abordados os temas dos resultados das intervenções (o grupo como medida protetiva); dos aspectos operacionais para a implantação desses trabalhos (parcerias com organizações não governamentais, com o Estado, o papel do Judiciário, o trabalho em rede); dos tipos de intervenção relacionados à especificidade das situações (homens autores de violência e mulheres vítimas de violência); e das relações de gênero, masculinidades e violência.

O Instituto Albam é uma organização não governamental sem fins lucrativos, fundada em l998 e considerada instituição de interesse público pelo Município de Belo Horizonte. Ele tem por missão atuar na promoção da saúde mental e social com diversos programas com enfoque em gênero.