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O tráfico de escravos PDF Imprimir E-mail
 
 

Representação de um porão de um navio negreiro.

 


Mesmo após a Lei anti-tráfico de 1831, o tráfico de escravos continuou a existir, só que de forma clandestina. Temos exemplo disso em Sergipe através do depoimento de um escravo que descreveu como ocorreu o seu desembarque em terras sergipanas.
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Levas de africanos escravizados, portadores de diferentes culturas, foram trazidos de diversas partes da África. Para o sudeste do Brasil e Pernambuco vieram principalmente os bantus, já para a Bahia e Sergipe, os nagôs. Os navios negreiros transportavam grupos de 300 a 500 indivíduos em seus porões, em uma viagem que poderia durar entre 30 e 50 dias. Os suprimentos eram diminuídos para que coubessem mais pessoas. Tais condições causavam tantas mortes que os navios negreiros eram também chamados de tumbeiros.

Relato de escravo sobre seu desembarque clandestino em Mangue Seco.
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Transcrição


[fl.84]

Perguntado, Como se chama?

Respondeu que Belxor.

Perguntado, Que idade tem?

Respondeo que não sabe pre

cizar ao certo, apenas sabe

que quando o Frei Candido

apregou a primeira Missão

[fl.84v]

Missão nesta cidade, elle res

pondente estava aqui nesta

Província à quatro annos-

Perguntado de que nação hé?

Respondeo que hé africano,

Nascido em Loanda –

Perguntado, Como veio para o Brazil?

Respondeu, que veio embarcado, e no Mangue sêco

Foi comprado pelo finado

Ajudante Jose da Silva Telles-

Perguntado, se quando chegou no Mangue sêco,

se foi vezita de soldado no Barco?

Respondeo que não.

Perguntado, que destino te

ve elle respondente quando

chegou no Mangue sêco?

Respondeu, que desembar-

cou logo para terra a noi

te, e nessa mesma occazi

ão ou noite, o seu então

senhor seguio com elle pa

ra esta cidade, por den-

tro dos matos, vindo as

hir no oiteiro do senhor do Bom fim com mais qua

tro de seus companheiros.

Referência Arquivística:

Arrolamento de bens de José Maria de Almeida, 29/12/1872

LAR/Cart.1º OF - Inventário - Cx.219-A

 

 

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