A alforria PDF Imprimir E-mail

 



A alforria foi uma prática comum no Brasil desde os tempos coloniais. O que significa dizer que o Brasil colonial e imperial não era constituído apenas por senhores e escravos, existia uma população livre, de cores variadas, descendente de libertos africanos, índios e brancos. Ser negro no Brasil não era sinônimo de ser escravo.

A maior parte das alforrias eram compradas pelos escravos aos seus senhores.As alforrias gratuitas costumavam ser dadas àqueles escravos considerados pelos senhores como fiéis e obedientes, ou ainda como agradecimento a algum tipo de serviço prestado. O problema é que a maior parte das alforrias gratuitas eram condicionadas a alguma prestação de serviço, que poderia ser por tempo determinado ou se estender por toda a vida do senhor. Como podemos ver nos exemplos seguintes:

 


Registro da carta de liberdade da mestiça Joanna, forra por seo senhor Manoel de Sza. [Souza] Magalhães.

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Transcrição

 


[fol.77]

Digo eu Manoel de Souza Magalhães que

entre os bens livres e desembargados de que

sou legítimo senhor e possuidor, é uma es-

crava mestiça de nome Joanna filha de

minha escrava Helena criola, que ago-

conta alias tem de idade treze annos,

a qual escrava Joanna , deve acompa-

nhar-me atte o dia em que eu a cazar

ou fallecer, e sendo que a mesma descre[?]

e tenha filhos, tanto ella como seus filhos

gozarão da mesma liberdade, cuja liber-

dade é do dia de minha morte por dian-

te como si de ventre livre nascesse; e não


[fol.78]

não poderão meus herdeiros prezentes e

fucturos contradizerem esta liberda

de que a faço de minha livre vontade

sem constrangimento algum, e sim pelo

muito amor que lhe tenho pela ter

creado como filha, e alem disso me ter

servido completamente; e havendo duvida

sobre o ponderado recebo a dita escra

va em minha terça pela quantia

de cento e vinte mil reis, e declaro que

presentemente o posso fazer por pos-

suir bens aundantes que bem che-

gão para esta liberdade: e para titulo

mandei passar a presente que pedi

ao Senhor Jose Thomaz de Aquino [...]

 

.
Referência Arquivística:

LAG/C1ºOF – Livro de Notas – Cx 1094

03/01/1829

 

 


 

Registro d´uma carta de liberdade da prêta Ignacia, como abaixo se declara.

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Transcrição


Eu, abaixo assignada, desejando dar uma prova de gratidão

do quanto devo a minha escrava Ignacia Africana, de

idade de quarenta anos, pouco mais ou menos, pela

maneira de elevada fidelidade com que me tem servido

até hoje, d´esta data em diante tenho resolvido, em conta

de minha terça, como me faculta as Leis, conceder à re-

ferida minha escrava a sua liberdade; com a condição

porém de me acompanhar até a minha, aliás, até a

morte, depois da qual gosará, como se de ventre livre

nascesse, da liberdade que pela presente lhe concê-

do de minha livre e espontanea vontade. E como não sai-

ba ler nem escrever pede ao Senhor Ignácio de Souza Val-

ladão este [...]


Referência Arquivística:

MAR/C1ºOF- Livro de notas – Cx 849

16/06/1868

 

Inicial | O tráfico de escravos | A cultura na senzala | A revolta escrava | Busca da liberdade na justiça
Lei do Sexagenário | A Abolição | A Abolição significou o fim da escravidão?

 

 

 

 

 
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