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[fl. 2]
Perante V. S. [Vossa Senhoria] queixa-se Luis Barbosa Madureira
Maynart, branco, solteiro e natural d´esta Prov.ª [Província] de
Sergipe, com residencia n´este Termo de Div.ª [Divina] Pas-
tora, contra os escravos João Mulungú, crioulo, ora
preso na Capital d´esta Província, do domínio do
proprietário João Pinheiro da Fraga, m.or [morador] no Termo
de Laranjeiras, Quirino, crioulo pertencente hoje
ao proprietário Manoel d´Azevedo Faro, resid.e [residente]
no Termo do Rosario, Manoel e Malaquias, o
primeiro, pardo, preso na dita cadêa, e o seg.do[segundo]
crioulo fugido, e ambos pertencentes à José
Augusto Ferras, q. os comprou p. comissão
à casa Schramm e C.ia no Maroim, m.or no Ara-
cajú; sendo o motivo de sua guarda o facto
seguinte, digo – Aracajú; Cassiano escravo do
Ten. Cel João D´Aguiar, m.or no Termo de Ma-
roim ; e Pedro, escr.º [escravo] do propriet.º do eng. Cam-
bão do cidadão José Ignácio; Manoel Jurema
escravo do proprietario Cap.m Paulo do Termo
de Lar.as , sendo o motivo de sua queixa o
facto seguinte:-
No dia 10 de janeiro do corr.e [corrente] anno, pelas onze
horas da noute, achando-se o Supp.e [suplicante] em viagem
do Maroim para sua casa, que é em terras do
engenho Matta ou Triumpho, em caminho
foi atacado pelos ditos escravos e outros qui-
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[fl.3]
quilombolas, os quaes o fizerão apeiar com a-
meaças de morte, por estarem todos bem arma
dos de bacamartes, facas de ponta e outros ins-
trumentos mortiferos, e os acompanharão à
pé à sua residencia. Ali chegando, encon-
trou o Supp.e um hospede e outras pessoas, q.
estavão em companhia de sua ama Felesmi-
na Maria do Sacramento; e os d.os[ditos] escravos pe-
netrarão violentam.e sua morada e a pozerão
em cerco, carregando gallinhas, perús, carneiro,
sella e seus pertences: e , depois de o injuriarem
bast.e [bastante] com palavras affrontozas, o deixarão
felism.e sem ofesas phisicas [...]
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