LUIZ RABELO LEITE, SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO
Jorge Carvalho do Nascimento
Luiz Rabelo Leite foi o Secretário da Educação e Cultura do breve governo de João de Seixas Dória, desde a sua posse até o momento no qual o governador foi deposto pelo golpe militar de 1964. Preso, Luiz Rabelo produziu um relatório sobre o seu trabalho, anexado ao Inquérito Policial Militar instaurado para apurar a existência de atividades subversivas no Movimento de Cultura Popular, no qual depôs. Ele era bacharel em Direito, Promotor de Justiça, professor da Faculdade de Filosofia e intelectual católico, que em 1958 se destacara como um dos membros da Frente Nacionalista de Sergipe.
O trabalho de Luiz Rabelo Leite como Secretário da Educação e Cultura do Estado de Sergipe, de 31 de janeiro de 1963 a 1º de abril de 1964, possibilitou a construção de nove escolas, na capital e no interior do Estado, totalizando 48 salas de aula, além de serem recuperadas 49 escolas. Além disso, dentro do espírito do programa da Sudene e da USAID foram treinados 1.200 professores leigos, através de 22 cursos oferecidos em cidades do interior do Estado. A Secretaria promoveu um curso para diretores de escola, mandou 25 professores para cursos de especialização em São Paulo e Belo Horizonte, promoveu cursos para supervisores, e ofereceu outros de capacitação docente, educação de adultos, estatística educacional e educação geral na Sudene, em Recife. Preparou ainda oito professores para cursos de artes industriais.
Ponto destacado sempre por Luiz Rabelo Leite era a reformulação que promoveu no calendário escolar estabelecendo um calendário urbano e um outro rural, fixando o recesso escolar durante o inverno e nas épocas de plantio. Além disso, tal calendário estabeleceu, pela primeira vez, um ano letivo de 207 dias (até então eram 160). Foi ainda do mesmo período a organização de vários concursos públicos promovidos pela Secretaria da Educação, Cultura e Saúde do Estado de Sergipe. A pedra de toque da administração, contudo, não chegou a ser concretizada: uma reforma administrativa na Secretaria da Educação, Cultura e Saúde, criada três anos antes. O golpe de 1º de abril encontrou o projeto tramitando na Assembléia Legislativa.
No espírito de tal reforma já se implantaram os setores de Obras e Estatística Educacional, o de Supervisão e o Movimento de Cultura Popular. A instalação do novo Conselho Estadual de Educação, que aconteceu em setembro de 1963, era compatível com a mesma filosofia, do mesmo modo que a criação de Círculos de Pais e Mestres, Clubes Agrícolas, Pelotão de Saúde, Bibliotecas Escolares e o Coral de Sergipe.
O Serviço de Estatística Educacional enquadrava-se perfeitamente no Programa de Assistência Técnica Financeira às Secretarias da Educação do Nordeste, mantido pela Sudene. Tal programa previa também a implantação da Assessoria de Planejamento da Secretaria da Educação, Cultura e Saúde (como de resto em todas as Secretarias da Educação dos Estados do Nordeste). A implantação dessa Assessoria somente não se deu dentro do governo Seixas Dória em face do seu prematuro aborto institucional.
Outro elemento fundamental da ação administrativa da Secretaria da Educação no período e que vale a pena destacar foi o trabalho do grupo de assessores técnicos cedidos pelo Governo do Estado de São Paulo. Esse grupo, também articulado com o nacionalismo-desenvolvimentista, predominante na Sudene, exerceu papel de destaque no assessoramento ao secretário Luiz Rabelo Leite.
Fonte: NASCIMENTO, Jorge Carvalho. Luiz Rabelo Leite, Secretário da Educação. Disponível em www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=2285085147228&id=1851877013. Acesso em 01/02/2012.