O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) do município de Laranjeiras foi inaugurado em julho de 2023 para o acolhimento de mulheres em situação de violência e em vulnerabilidade social com a oferta de atendimento jurídico e psicossocial. Desde a sua implantação, o Cram tem promovido, por meio de uma articulação entre os Poderes Judiciário e Executivo municipal e o Senac, cursos profissionalizantes para estimular a autonomia financeira das mulheres atendidas.
Em 2024, foi inaugurada, no espaço do Cram, a Fábrica de Chocolate Mussuca cuja produção é feita pelas mulheres que foram qualificadas nos cursos ofertados. Neste ano de 2025, a produção de chocolates das mulheres assistidas pelo Cram está a todo vapor para atender à demanda e a juíza coordenadora da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), Juliana Martins, foi acompanhar de perto o trabalho desenvolvido.
“Eu estou bem encantada, o Cram está estruturado, as mulheres estão trabalhando com muitas demandas, inclusive, já tem uma sala com 800 ovos que foram encomendados para serem entregues nesta Páscoa. Então ver essas mulheres empoderadas, saindo dessa situação de vítima para serem autoras da própria vida é o que nos impulsiona nesta luta”, disse a juíza Juliana Martins.
As encomendas chegam das secretarias municipais de Laranjeiras e do público que toma conhecimento do trabalho. Para a Páscoa, 10 mulheres participam da produção que por dia chega a 350 ovos de chocolates. A marisqueira Marluce, que fez o curso de confecção de chocolate do Senac no ano passado, disse que a renda com a fábrica é hoje sua única fonte.
“Para mim está sendo uma experiência boa porque eu estava sem trabalhar, apesar de ser marisqueira. Eu optei por fazer os ovos de chocolate, porque é uma oportunidade nesse período, mas também eu pretendo dar continuidade ao trabalho. Nós temos recebido muitas encomendas, mas nossa equipe tem como produzir mais”, relatou Marluce dos Santos.
O Cram de Laranjeiras tem uma demanda de 40 mulheres e oferta dois cursos profissionalizantes realizados pelo Senac e pela Secretaria Estadual de Trabalho, nos turnos da tarde e noite. “As mulheres passaram por qualificação e hoje elas estão trabalhando para sua autonomia e fabricando chocolates para a venda e uma renda extra. As mulheres sempre nos relatam como têm conseguido conquistas o que antes não eram possíveis, ocuparam um tempo que era ocioso, então não apenas é uma melhoria da renda, mas da autoestima dessas mulheres”, garantiu Tainara Goes, assistente social do Cram.
Outras articulações
A juíza coordenadora Juliana Martins conversou com o vice-prefeito de Laranjeiras, Luciano da Várzea e com a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social Onete Mota sobre a ampliação dos equipamentos de proteção às mulheres do município.
“A gente não para porque a violência doméstica não para, então a gente está em constante luta. Por isso precisamos implantar em Laranjeiras a Patrulha Maria da Penha e os grupos reflexivos e estamos em tratativa com o Poder Municipal. Tenho certeza que sairemos hoje daqui com a indicação desta implantação, porque as mulheres de Laranjeiras merecem ser protegidas dentro de suas casas e quando saírem delas”, confirmou a magistrada.
A secretária Onete relatou que o Cram mantém outra parceria importante com a delegacia do município para a escuta da mulher vítima de violência na sala de acolhimento do Cram. “Nós temos essa parceria que é muito importante porque as mulheres não vão à delegacia, mas a delegada vem ao Cram em um horário agendado e ouve essas mulheres. Isso dá às mulheres um trato melhor e incentiva a denúncia porque para uma mulher ir à porta de uma delegacia para denunciar é mais difícil”, acrescentou.
Matéria/texto: Dircom TJSE
Fotografia: Raphael Faria Dircom TJSE








