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Portal da Mulher - TJSE

Segundo dia do Fovid é encerrado com palestras da monja Coen e Lili de Grammont

Como um órfão de feminicídio prossegue a vida após a tragédia? Onde uma mulher vítima de violência encontra coragem para recomeçar? Esses foram temas de palestras que encerraram o II Fórum Sergipano de Violência Doméstica (Fovid), na manhã desta sexta-feira, 14/08, no Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). As palestrantes foram a psicóloga Lili de Grammont, filha dos cantores Lindomar Castilho e Eliana de Grammont, e a monja Coen.

“Não é natural ser abusada, seja por palavras, por gestos, por atitudes ou por socos, tapas e até a morte. Não se pode admitir isso. E a coragem para mudar isso vem do coração, olhar para dentro do seu coração e procurar apoio. É uma mudança na maneira de estar no mundo e temos que ensinar desde cedo os pequenininhos. A gente começar a nos relacionar de forma mais amorosa, justa e respeitosa. A gente consegue. Talvez não nesta geração ainda, mas temos que começar agora”, disse a monja Coen.

Já Lili de Grammont levou para o fórum sua própria experiência de vida, ao relatar como a mãe, a cantora Eliana de Grammont, foi assassinada pelo marido, o também cantor Lindomar Castilho. Lili tinha apenas 2 anos de idade quando o fato aconteceu, em 1981, mas só descobriu que o autor do crime tinha sido o pai cerca de quatro anos depois. Criada pela avó materna, além de enfrentar o luto, ela precisou aprender a conviver com os holofotes da imprensa.

“Quando descobri que na verdade o pai que eu amava era o assassino da minha mãe foi muito duro. Foi quase um segundo luto. Quando eu descobri que aquele homem acima de qualquer suspeita na verdade era um autor de violência. Isso foi muito dolorido. Entender que a pessoa que você mais admira e ama, ela na verdade tinha uma camada muito cruel e muito fomentada pelas músicas que ele cantava”, contou Lili.

Durante a palestra, carregada de muitos momentos emocionantes, ela falou ainda sobre como é possível, no dia a dia, tomar algumas atitudes que não fomentem ainda mais a violência contra a mulher. “As músicas que a gente ouve, que colocam a mulher num lugar de submissão, que objetificam o corpo da mulher, de alguma maneira criam uma licença para nossos meninos acharem que tudo bem violentar a colega”, opinou.

O fórum, que também contou com uma feirinha de mulheres empreendedoras, foi encerrado com a oficina ‘Protocolo Integrado de Prevenção e Medidas de Segurança voltado ao Enfrentamento à Violência Doméstica do TJSE e competências judiciais em processos de violência doméstica e familiar contra a mulher’. A oficina, que teve juízes como público-alvo, foi ministrada pelos juízes Juliana Martins, Raphael Santana, Viviane Cavalcante e Gilvani Zardo.

Informações adicionais

Texto/Matéria: Dicom TJSE
Fotografias:Raphael Faria / Dicom TJSE